Primavera chegando: por que a mudança de estação pode mexer com o sono, o humor e a disposição?

Estação começa oficialmente nesta terça-feira (22), e a mudança na duração dos dias, na luminosidade e nas condições climáticas também pode influenciar a rotina. Entenda o que realmente muda no organismo e como aproveitar a nova estação

Se existe uma estação que costuma chegar acompanhada de uma mudança de cenário, é a primavera. As árvores começam a ganhar novas cores, as temperaturas mudam gradualmente e os dias ficam mais longos. Em Brasília, a transformação também pode ser percebida na paisagem e, principalmente, na relação das pessoas com o ambiente externo.

Mas a mudança de estação não é apenas uma questão de calendário.

A primavera de 2026 começa oficialmente em 22 de setembro, às 21h05, no horário de Brasília, quando ocorre o equinócio. O fenômeno marca a transição para a primavera no Hemisfério Sul e está relacionado à posição da Terra em sua órbita e à incidência dos raios solares. A partir daí, os dias vão ficando progressivamente mais longos até a chegada do verão.

E essa mudança na quantidade de luz disponível ao longo do dia interessa bastante ao nosso organismo.

O relógio do corpo também percebe a mudança

O corpo humano possui um sistema de regulação conhecido como ritmo circadiano, responsável por organizar ciclos de aproximadamente 24 horas, incluindo sono e vigília.

A luz é uma das principais referências utilizadas pelo organismo para ajustar esse relógio interno. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde explica que o ciclo circadiano participa da regulação do sono e da vigília por meio da influência da luz e da melatonina.

É por isso que a exposição à luz durante o dia e a redução da luminosidade à noite são importantes para a organização do sono.

Não significa, entretanto, que o simples fato de a primavera chegar vá fazer todo mundo dormir melhor ou acordar mais disposto. A resposta varia de pessoa para pessoa e depende também de hábitos, rotina, ambiente e condições individuais.

Mais luz durante o dia pode mudar a rotina

Com os dias ficando mais longos, algumas pessoas naturalmente passam mais tempo em atividades ao ar livre.

Isso pode ser positivo para quem estava passando boa parte do dia em ambientes fechados, especialmente durante períodos de frio ou de rotina mais restrita.

A exposição à luz natural durante o dia ajuda o organismo a diferenciar melhor o período de atividade do período de descanso. Pesquisas e materiais técnicos divulgados pela Fundacentro destacam a relação entre iluminação, relógio biológico, estado de alerta e qualidade do sono.

Mas existe um detalhe importante: se a luz é importante durante o dia, o excesso de luz à noite pode atrapalhar.

Celular, televisão, computador e ambientes muito iluminados perto do horário de dormir podem interferir nos sinais que ajudam o organismo a entrar no período de descanso.

E o humor? A primavera realmente deixa as pessoas mais felizes?

É comum ouvir que a primavera melhora automaticamente o humor.

A realidade é um pouco mais complexa.

Mudanças na exposição à luz podem influenciar mecanismos relacionados ao relógio biológico e ao sono, mas não é correto afirmar que a chegada da primavera, sozinha, seja capaz de melhorar o estado emocional de todas as pessoas.

Há ainda fatores sociais e comportamentais envolvidos. Dias mais longos podem facilitar encontros, caminhadas, atividades físicas e momentos ao ar livre. Para algumas pessoas, isso pode contribuir para uma rotina mais ativa e prazerosa.

Mas saúde mental não funciona como uma mudança de estação no calendário. Sintomas persistentes de tristeza, ansiedade, alterações importantes do sono ou perda de interesse nas atividades habituais merecem atenção independentemente da época do ano.

Brasília tem um detalhe importante: o clima

Para quem vive no Distrito Federal, falar de primavera também exige falar de tempo seco.

O fim do inverno e o início da primavera podem ocorrer ainda sob influência de períodos de baixa umidade. Em agosto, por exemplo, o Governo do Distrito Federal registrou episódios de umidade bastante baixa, com orientação para reforçar a hidratação e os cuidados com as vias aéreas.

Isso significa que a chegada da primavera não representa automaticamente o fim do clima seco.

A população pode continuar enfrentando ressecamento da pele, desconforto nos olhos, nariz e garganta e agravamento de problemas respiratórios em períodos de baixa umidade.

Hora de mudar a rotina?

A chegada da nova estação pode ser uma boa oportunidade para rever alguns hábitos.

Quem passou os últimos meses mais sedentário pode aproveitar os horários de temperatura mais agradável para começar a caminhar. Quem ficou muito tempo em ambientes fechados pode tentar incluir mais momentos ao ar livre durante o dia.

Também vale observar o sono.

Manter horários relativamente regulares para dormir e acordar, reduzir estímulos luminosos antes de dormir e deixar o quarto confortável são medidas que continuam importantes independentemente da estação. A Biblioteca Virtual em Saúde recomenda regularidade nos horários de sono e destaca a importância de um ambiente adequado para o descanso.

E para quem tem alergias?

A mudança de estação também pode representar um período desconfortável para pessoas sensíveis a determinados fatores ambientais.

Florescimento, poeira, poluentes e mudanças nas condições atmosféricas podem contribuir para sintomas respiratórios em algumas pessoas.

Quem apresenta crises recorrentes deve observar os próprios padrões e procurar avaliação profissional quando os sintomas forem frequentes, intensos ou estiverem interferindo na rotina.

A ideia não é viver a primavera dentro de casa — muito pelo contrário.

É apenas entender que cada organismo responde de uma maneira diferente.

Primavera é uma boa desculpa para reorganizar a vida

Talvez a melhor maneira de aproveitar a mudança de estação seja enxergá-la como um lembrete.

Não é preciso fazer uma transformação radical na rotina porque o calendário mudou.

Pode ser algo mais simples: abrir a janela pela manhã, caminhar um pouco, reduzir o uso do celular antes de dormir, voltar a praticar uma atividade física ou reservar um tempo para encontrar amigos.

A primavera não faz milagres.

Mas pode ser um ótimo empurrãozinho para quem estava esperando uma oportunidade para sair do automático.

E, em uma rotina cada vez mais corrida, às vezes é justamente isso que falta: um motivo para lembrar que o corpo também precisa de luz, movimento, descanso e um pouco de vida fora das telas.


Viver Notícia

Postar um comentário

0 Comentários